Gualdim Pais na Praça
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Estátua de D. Gualdim Pais

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Estátua colocada em 1938 na Praça da Républica. D. Gualdim foi um grande mestre templario, responsavel pela fundação do castelo em 1160. (o autor da estátua foi o portalegrense Macários Dias)

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Aqui fica uma breve biografia do quarto mestre dos Templários em Portugal:

* D. Gualdim Paes nasce em 1118 em Amares (???) oriundo duma família pertencente à nobreza minhota. (É nesta data que em Jerusalém a Ordem do Templo é criada por 9 cavaleiros).

* Foi levado, ainda muito novo, para o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra por D. Afonso Henriques, o Primeiro Rei de Portugal, para que por ele fosse criado e armado cavaleiro (1128?). O Gualdim Pais era sobrinho de D. Paio Mendes, arcebispo de Braga, a figura mais importante do clero português, aliado e conselheiro político de D. Afonso Henriques (tornou-se cavaleiro templário em 1129).

* D. Gualdim é armado Cavaleiro na batalha de Ourique em1139, combatendo ao lado dos seus irmãos de armas, os Cavaleiros Mem Ramires e Martim Moniz, em todas as batalhas contra os Mouros na reconquistar do reino. Destaca-se durante a tomada de Santarém, em 1147, e durante a de Lisboa, em 1149.

*Pouco tempo depois parte para a Palestina (1151), a Terra Santa, para combater pela Fé, é ai que é armado cavaleiro Templário.

* Dessas aventuras e mistérios Templários, traz pelo mestre André de Montbard, um dos fundadores da ordem, grande amigo e companheiro de Hugues de Payens, algumas relíquias, entre elas a mão de São Gregório Naziano..

*Participou no Cerco de Gaza, em 1153.

*Regressa ao Condado Portucalense cinco anos depois da sua partida, aquando da morte de André de Montbard, trouxe com ele também a experiencia de grandes combates travados e as técnicas mais avançadas de construção de castelos (construídos pelos cruzados na Terra Santa), tais como alambores e as torres de menagem, construídos pela primeira vez em Portugal no Castelo de Tomar.

*O Rei de Portugal faz dele Comendador de Braga e procurador do Templo.

*Em 1155 é lhe concedida a comenda de Sintra, D Afonso Henriques doa-lhe casas, fazendas e vastas áreas em Sintra, fazendo questão que o Papa Alexandre III o confirmasse.

* Em 1158 é nomeado Mestre do Templo, depois da morte do D. Pedro Arnaldo que foi morto durante a conquista de Alcácer do Sal.

*Em 1159 acaba o diferendo existente entre Templários e o Bispo de Lisboa pela posse de Santarém, ficando a ordem com a Igreja de Santiago e com o Termo de Ceras por troca da cidade de Santarém (que tinha ajudado a conquistar).

*É assim que ainda em 1159 é começado a reconstrução do antigo Convento de Beneditinos, ao qual hoje chamamos Templo de Santa Maria do Olival, que a partir da época de Gualdim serviu de Panteão dos Templários em Portugal, onde ele próprio seria sepultado).

*No ano de 1160 é lançada a primeira pedra da reconstrução do Complexo Militar e Espiritual da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (Castelo de Tomar), passando este a ser cede da ordem em Portugal.

*Edificou e reconstruiu várias fortificações que consolidava a defensiva do território português: Almourol, Penarroias, Longroiva, Ozêzer, Cardiga, Pombal, Ega, Soure, Redinha, Castelo Branco, Idanha-a-Velha, Monsanto, Castelo Novo, Rodão, etc.

* A segurança dada pelo castelo, bem como as terras férteis junto ao rio, atraíram rapidamente os povoadores, que construíram as suas casas dentro das muralhas do castelo, na Almedina.D. Gualdim cede assim o 1º Foral a Tomar em 1162, em que diz que os seus habitantes estavam divididos em dois grupos com diferentes deveres e direitos, os cavaleiros vilãos e os peões herdadores, conforme participavam nas batalhas a cavalo ou a pé. Os primeiros tinham os seus bens livres do pagamento de impostos; já os segundos pagavam uma renda ou foro, em produtos agrícolas, para poderem trabalhar nas terras da Ordem.No foral também estavam escritas as obrigações dos habitantes da vila para defender o castelo e o território. Aí se diz que as atalaias (sentinelas) eram feitas metade do ano pelos Templários e outros seis meses pelo povo; que os habitantes não tinham de pagar ou dar de comer aos guardas das portas do castelo e da vila; quando o rei chamasse para a guerra, cada cavaleiro templário era acompanhado por quatro combatentes, recrutados entre os homens da vila de Tomar.

* Em 1174 D. Gualdim dá um segundo foral á cidade, este foral é de carácter criminal. Como ele aí diz: "... eu, Mestre Gualdim, de acordo com os meus freires (Templários), com o poder que me dá a vontade de Deus, temos a necessidade de acabar com as ofensas e os roubos entre o povo a principal preocupação subjugado a nós." Aqui está enumerada toda uma série de crimes, do homicídio ao roubo, e os respectivos castigos a aplicar. Algumas das penas eram tremendamente duras.A verdade é que também havia crimes e costumes horríveis, com o de mandar encher a boca de alguém com excrementos: o crime da "merda na boca". Aparece referido em bastantes forais deste período e alguns reis, como D. Dinis, chegaram a condenar à morte quem praticasse tal acto. No foral de Tomar dizia-se que quem lançasse esterco à cara de outro, pagaria 60 soldos de multa. Era também esta quantia que pagava quem entrasse para furtar, à noite, numa vinha ou numa horta. Pagava isso e o que trouxesse vestido. Metade da multa era para o dono da horta ou da vinha e a outra metade para os senhores da terra, os Templários. Se o ladrão não pudesse pagar, era pregado a uma porta, durante um dia, e depois chicoteado.Em Tomar também havia escravos mouros, prisioneiros de guerra, e esses eram tratados de forma ainda mais dura, sem quaisquer direitos: "O mordomo (a autoridade do Concelho) não prenda o mouro que ande acorrentado, ou a moura solta, por qualquer dano, mas se os senhores da terra (Templários) ou o Concelho acharem que fez coisa grave por que mereça ser apedrejado ou queimado, seja então apedrejado ou queimado. Se tal coisa fez que mereça ser chicoteado, chicoteiem-no, tanto o mouro como a moura, e entreguem-nos ao seu dono."Apesar da maior parte deste foral nos falar de crimes e castigos, também aqui estão indicados os impostos e as rendas que os povoadores tinham de pagar aos Templários. Esses pagamentos eram calculados conforme os rendeiros das terras possuíssem juntas de bois para lavrar ou cavassem a terra usando uma simples enxada.Estes impostos eram tão pesados que os habitantes de Tomar, aproveitando a confusão que se gerou com o fim dramático dos Templários e a sua substituição pela Ordem de Cristo, no início do século XIV, apagaram estas obrigações no foral. A falsificação foi descoberta, quase ao fim de cem anos, e os tomarenses foram condenados a pagar, de uma vez, todas as rendas atrasadas à Ordem de Cristo.

* Em 1190 as forças muçulmanas realizaram um forte contra-ataque e fizeram recuar os portugueses, desde o Algarve até ao rio Tejo. Conquistaram e saquearam castelos e povoações por todo o Alentejo e Ribatejo. Os defensores de Tomar foram avisados da aproximação do exército árabe, através do alerta enviado pelas sentinelas da torre de vigia ou atalaia que existia entre os castelos de Tomar e Almourol.No dia 13 de Julho, novecentos guerreiros árabes, chefiados pelo Rei  Abu Yacub Al-Mansur de Marrocos, cercaram o inacabado castelo de Tomar. Lá dentro, cerca de duas centenas de defensores eram comandados por um velho guerreiro, de 72 anos, D. Gualdim Pais.Os árabes, durante seis longos dias, saquearam os campos em redor e cercaram o castelo, fazendo várias tentativas para o conquistar. A certa altura, chegaram a transpor a porta de Almedina (a que dá para a mata dos Sete Montes) que, nesse tempo, dava acesso à vila que ficava dentro das muralhas. Os cavaleiros Templários foram ao encontro do inimigo e conseguiram repelir o ataque, mas o combate foi tão violento que, a partir daí, a porta de Almedina passou a chamar-se porta do Sangue.

*Em 1195 eis que o Grande  mestre regressa ao ventre da Grande Mãe (Santa Maria do Olival) para servir de alimento ao Homem renascido.

 Pelas suas qualidades pessoais de bravura, pela sua acção incansável, pelos seus feitos, Gualdim Paes representa o ideal  Templário, cuja lembrança se mantém acesa em terras portuguesas. E mesmo, ao que parece, o do perfeito iniciado, capaz de trabalhar com presciência para o futuro do seu país. Os seus sucessores tiveram, têm e terão apenas que aperfeiçoar a obra por ele iniciada. Hoje, este sentimento, sobrevive em muitos corações cujos seus feitos nos fazem viver e lutar por um mundo melhor, nunca esquecendo a velha máxima: Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam.

Algumas curiosidades:

-13 de Outubro 1195 morre Gualdim Paes.

-13 de Outubro 1307 Prisão dos templários em França.

 

-Gualdim Paes nasce em 1118.

-Ordem Templária nasce oficialmente em 1118.

 

-Gualdim Paes morre com 77 anos.

-D Afonso Henriques morre com 77 anos.

Para terminar em tom de mistério (ser templário é isso mesmo!) fica a pergunta: Estará Gualdim Paes sepultado no Templo de Santa Maria, junto da lápide que lhe deixaram? Ou estará (como sempre esteve) num sítio incerto a servir de Guardião ao Segredo e ao Tesouro que prometera guardar?

Não a nós Senhor, não a nós! Mas ao Teu nome dai glória!

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